Pleroma heteromalla
Ipomoea hederifolia
Reserva
Mãe-da-Lua

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Jacu-verdadeiro

Outros nomes: Jacucaca, jacu,
jacu-do-nordeste.
Nome científico: Penelope jacucaca. 

Família: Cracidae.
A espécie é monotípica e endêmica do Nordeste do Brasil.
Referências: Redies 2013
Jacucaca (Penelope jacucaca)
01/08/2010; Reserva Mãe-da-Lua, Itapajé-CE.

Figura 1.

Jacu-verdadeiro Penelope jacucaca ao lado de um olho d'água da Reserva Mãe-da-Lua.

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Jacucaca (Penelope jacucaca)
17/08/2012; Reserva Mãe-da-Lua, Itapajé-CE.

Figura 2.

Logo depois da aquisição do terreno da Reserva Mãe-da-Lua em 2006, notei a presença do jacu-verdadeiro (Penelope jacucaca). Em 2007, contei 16 indivíduos perto de um olho d'água da reserva. Em 2010, vi regularmente até 38 jacucacas, entre eles muitos adolescentes, no mesmo lugar. Em 2012 foram mais que 50 e em 2014 mais que 80. A contagem dos 80 jacus em 2014 foi filmada, veja este vídeo. Acredito que o aumento dos números é devido, pelo menos em parte, aos nossos esforços de prevenir a caça.

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Jacucaca (Penelope jacucaca)
31/10/2007; Reserva Mãe-da-Lua, Itapajé-CE.

Figura 3.

Esta ave passou a uma distância de 2-3 metros da minha tocaia perto do olho d'água, em um momento de sorte, quando a luz do sol possibilitou uma fotografia.

Hellmayr (1929) escreveu na sua obra "Contribution to the Ornithology of Northeastern Brazil":

"P. jacu-caca é parente próximo de P. ochrogaster ... e P. pileata... Eles formam um grupo natural no gênero, caracterizado pela estreita faixa preta que separa as sobrancelhas brancas dos lados sem penas da cabeça ..." (p. 474).

A foto acima ilustra esta característica (tradução e sublinha na citação de hr).

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Notas sobre o jacu-verdadeiro

A literatura sobre P. jacucaca é pouca, e em parte difícil de encontrar. Nem o excelente livro "Curassows and Related Birds" de Delacour and Amadon 2004 contém muito material sobre esta ave.

Sistemática

Hellmayr (1929) considerou a possibilidade que P. jacucaca, P. ochrogaster and P. pileata seriam da mesma espécie. Pinto 1938 tratou a jacucaca como subespécie de P. superciliaris. Na literatura mais recente, P. jacucaca é classificada como espécie plena (Vaurie 1966, Blake 1977, Pinto 1978, Sick 1997, Delacour and Amadon 2004).

Vários autores sugeriram que P. jacucaca forma uma superespécie com P. ochrogaster e P. pileata (Sick 1997, Delacour and Amadon 2004).

Hábitat

Heinrich Snethlage 1928a relaciona vários tipos de habitats de floresta para P. jacucaca, a saber: mata úmida de terra firme ("Festlandsurwald"), no Maranhão; mata seca, na transição entre mata úmida e Caatinga ou Cerrado ("Monsunwald"); floresta seca de palmeiras ("Trockener Palmenwald"); e mata de várzea e de galeria ("Auenwald und Waldufer") (p. 516). Curiosamente, ele não incluiu vegetação secundária ou Caatinga.

Mais recentemente, a espécie foi encontrada em mata seca, mata úmida, Caatinga secundária, e outros tipos de vegetação (Roos and Tarso Zuquim Antas 2006).

Na Reserva Mãe-da-Lua, o jacu-verdadeiro é regularmente avistado em Caatinga arbórea secundária (de 20 anos de idade, em parte também mais jovem ou mais velha), e na mata secundária seca ou subúmida da serra da reserva (vegetação de cerca de 35 anos de idade, ou mais velha).

Reprodução

Segundo Snethlage 1928a, a época reprodutiva no norte do Maranhão é em outubro e novembro (p. 554). No Brasil oriental, a ninhada seria de três ou quatro ovos (p. 573). Perto do "Rio Grajahú" (provavelmente Rio Grajaú no Maranhão), Snethlage encontrou no mês de novembro uma fêmea com quatro pintos recém-nascidos, e em abril, no Piauí, adolescentes (Snethlage 1928b, p. 680).

Em Delacour and Amadon 2004, um indivíduo meio-crescido da Bahia é descrito. Este foi parecido com um adulto, porém com a plumagem mais branda, as cores menos vivas, e com algum marrom no pescoço posterior e mais marrom no peito que o adulto (p. 137).

Para reprodução no cativeiro, veja Delacour and Amadon 2004, p. 78/79.

Outros comportamentos

Em 1903, o ornitólogo Otmar Reiser participou de uma expedição austríaca ao Nordeste do Brasil. No Piauí, ele observou P. jacucaca frequentemente perto de lagoas, ao longo das beiras dos rios, ou "tomando banho" na areia de leitos secos dos rios. As aves passaram muito tempo no chão e, quando uma pessoa se aproximou, tentaram evitar a detecção agachando-se na areia. Parece que naquela época, o jacu-verdadeiro era uma ave comum, geralmente conhecido e muito apreciado por causa de sua carne saborosa (Reiser 1923).

Principal ameaça: caça

O jacu-verdadeiro é ameaçado de extinção (IUCN Red List, Silveira 2008), devido, principalmente, a caça. Hoje em dia, o jacu é raro ou localmente extinto em quase toda sua antiga área de ocorrência, até mesmo em regiões onde ainda existe hábitat apropriado.

Proteção

O que poderia impedir a extinção do jacu-verdadeiro na natureza? Uma opção são as reservas, cuja direção impede a caça, em cooperação com a polícia ambiental CPMA e o ICMBio. Tentamos fazer isso na RPPN Mãe-da-Lua. Por enquanto, nós podemos controlar, mais ou menos, a metade da reserva, e nesta parte, quase não há mais caçadores. Como dito acima, o número de jacus na nossa RPPN aumentou, segundo a contagem no olho d'água, de 16 indivíduos em 2007 para 80 em 2014.

A opinião da Associação Mãe-da-Lua

A melhor medida para a proteção do jacu-verdadeiro e de outros animais silvestres no Ceará seria a prevenção da caça não só nas reservas, mas em todo o território do estado. Um esforço determinado pela Polícia ambiental CPMA e/ou o IBAMA para impor a lei vigente (!) e para parar a caça ilegal no Ceará seria uma enorme contribuição para a preservação da biodiversidade. Claro, seria necessário que o governo fornecesse recursos e apoio político.

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