Campo Troupial - Icterus jamacaii
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Saracura-do-mangue
Aramides mangle
Little Wood-Rail
Família: Rallidae

A espécie é monotípica e endêmica do Brasil oriental. Um registro recente na Guiana Francesa (Ingels et al. 2011). RPPN Mãe-da-lua.

Sinónimos: Gallinula mangleSPIX 1825.
Saracura-do-mangue (Aramides mangle)
01/03/2009; RPPN Mãe-da-lua, Itapajé, Ceará, Brasil. Lente 300 mm f2.8.

Figura 1. Foto feita de uma tocaia, em luz fraca, a sete metros de distância; ISO 800, tempo de exposição 1/25 sec (!), 2.8f.

A saracura-do-mangue geralmente fica escondida na vegetação densa e é difícil observá-la. A ave na foto saiu da cobertura vegetal para cantar, e eu consegui tirar esta foto segundos depois dela terminar.

Há ainda outra espécie de saracura aqui, a três-potes Aramides cajaneus. Conversando com um caçador da vizinhança, notei que ele sabia da existência das duas espécies na nossa região. Com certeza, estas aves são ameaçadas, pois são comestíveis, e seus cantos atraem a atenção.

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Saracura-do-mangue (Aramides mangle)

Seguem informações breves sobre a biologia de A. mangle. Para mais detalhes, veja Redies, H. (2010) Little Wood Rail Aramides mangle in the Caatinga: Vocalisations and habitat. Cotinga 32:137-141 (em inglês).

Morfologia

O queixo e a parte superior do pescoço anterior são de cor cinza claro ou branco. O restante do pescoço anterior e o peito são ferrugíneas. Coroa, os lados da cabeça e o pescoço posterior são cinza. Uma característica importante é a mancha vermelho-alaranjada na base da maxila (Fig. 1). Veja também Sharpe 1894, Sick 1997, Mata et al. 2006, p. 162/163.

Vocalizações

Veja Cantos e chamadas.

Taxonomia e distribuição

No litoral norte da América do Sul existe outra espécie de saracura parecida, a saber, Aramides axillaris (Taylor 1998). Os cantos de A. mangle e de A. axillaris (exemplo) são muito parecidos, e no foro do xeno-canto P. Boesman sugeriu que as duas espécies poderiam fazer parte da mesma superespécie.

Um indivíduo de A. mangle foi recentemente registrado na Guiana Francesa (Ingels et al. 2011), país onde A. axillaris existe também (Taylor 1998, p. 335-336, Mata et al. 2006, p. 162, Restall et al. 2006b, p. 108). Seria interessante saber se as áreas de ocorrência de A. mangle e de A. axillaris são parcialmente sobrepostas, e se existem formas intermediárias entre os dois taxa.

Hábitat

A. mangle pode ser encontrado nos brejos e mangues do litoral e em matas adjacentes, por isso, um dos nomes brasileiros desta ave é "saracura-da-praia" (Sick 1997). Contudo, a espécie ocorre também no interior (Meyer de Schauensee 1970). Na RPPN Mãe-da-lua, a 40 km do litoral, a saracura-do-mangue vive na Caatinga arbórea da planície e na mata seca da serra, nem sempre perto de água. O indivíduo da figura 1 foi fotografado a 300 metros da próxima fonte de água, em Caatinga arbórea secundária.

Migrações

Não sei se as saracuras-do-mangue permanecem na RPPN durante o ano inteiro, ou se elas migram para outros lugares durante a seca. Minha impressão foi que depois de uma boa estação das chuvas, pelo menos uma parte da população de A. mangle fica na reserva. A ausência de vocalizações durante os meses secos não indica necessariamente que as saracuras migraram.

Uma noite, uma saracura-do-mangue voou contra o Hotel Simon em Itatiaia, Rio de Janeiro. Isso sugere que a espécie faz migrações locais. Há observações parecidas para a saracura-três-potes Aramides cajaneus, que é parente próximo (Sick 1997).

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