Campo Troupial - Icterus jamacaii
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Corrupião, Sofrê
Icterus jamacaii
Campo Troupial
Família: Icteridae

Icterus jamacaii é monotípico, e endêmico do Nordeste Brasileiro. Antigamente, foi considerado conspecífico com Icterus croconotus, veja por exemplo Sick 1997. RPPN Mãe-da-lua.

Sinónimos: Oriolus jamacaiiGMELIN 1788;   

Corrupião (Icterus jamacaii)
07/11/2010; Beira do Rio Parnaíba, Piauí/Maranhão, na altura de Floriano. Lente 300 mm f2.8.

Figura 1. O grande ornitólogo Helmut Sick considerou Icterus jamacaii "... uma das aves mais lindas e, em matéria de voz, das mais dotadas deste continente" (Sick 1997, p. 796). A ave tem vários nomes vernaculares, corrupião e sofrê sendo os mais comuns.

Hábitat: Segundo Jaramillo and Burke 1999, o corrupião é uma espécie de hábitats xéricos (p. 196). No entanto, eu encontrei esta ave principalmente na vegetação ciliar dos rios; em jardins ou fazendas com fruteiras; e em aréas semi-abertas na serra úmida de Baturité e Maranguape no Ceará. A ave das figuras 1 e 2, por exemplo, foi fotografada na beira do Rio Parnaíba (Piauí/Maranhão). Ainda não vi Icterus jamacaii num hábitat realmente xérico, como na Caatinga arbórea ou na mata tropical seca da RPPN Mãe-da-lua.

Nidificação: Segundo Sick 1997 e Jaramillo and Burke 1999, Icterus jamacaii não constrói seu próprio ninho, porém ocupa ninhos de outras espécies (nidoparasitismo). Contudo, há também um relatório de construção de ninho (Anita Studer, citado em Sick 1997, p. 790). Quando observei o Icterus jamacaii da photo, ele estava sem dúvida concertando um ninho (veja também fig. 2), porém não sei dizer com certeza se este foi também construído por ele, ou se foi obra alheia. Uma parte do ninho pode ser visto na foto (lado direito). Talvez, era de um furnarídeo, ou do bem-te-ví Pitangus sulphuratus.

Migrações locais: Na Caatinga, a maior parte dos rios não têm água durante a época seca, aproximadamente de junho até dezembro. A população de I. jamacaii que fica na mata ciliar destes rios durante a estação das chuvas, vai embora no início da estação seca, e só volta meio ano (?) depois, quando as chuvas começam de novo.

Conservação: Em algumas partes do Nordeste, o corrupião é ainda bastante comum, e eu vejo ele frequentemente nos arredores de Floriano-PI. No entanto, em muitas outras áreas, a espécie fica rara, ou localmente extinta.

Por exemplo, segundo meus vizinhos na RPPN Mãe-da-lua, tinha, há 10-15 anos, ainda muitos corrupiões na mata de galeria do Rio Caxitoré (à dois km da reserva). Porém durante os últimos anos, esta linda ave quase já não se vê lá. Ouvi duas explicações para este rápido declínio: a captura para o comércio, e vandalismo das crianças, que usaram o corrupião como alvo durante seus frequentes exercícios com baladeiras.

O que aconteceu aqui, também acontece em inúmeros outros lugares. O corrupião ainda não está ameaçado de extinção, porém a sua situação está deteriorando rapidamente.

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Corrupião (Icterus jamacaii)
07/11/2010; Beira do Rio Parnaíba, Piauí/Maranhão, na altura de Floriano. Lente 300 mm f2.8.

Figura 2. O mesmo corrupião (sofrê) que na foto acima, carregando no bico material para o ninho.

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Corrupião (Icterus jamacaii)
07/11/2010; Jardim do Hotel "Alto da Serra", Guaramiranga, Ceará. Lente 300 mm f2.8.

Figura 3. Az vezes, o corrupião (sofrê) pode ser observado voando de um jeito estranho, devagar, com cabeça e rabo orientado para baixo, como mostrado na foto. Deve ser um tipo de comportamento cerimonial (display behaviour), e, se lembro corretamente, a ave também canta durante a presentação.

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