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Na manhã do dia 5 de dezembro de 2011, alguém botou fogo numa capoeira no terreno da família Bento, adjacente à nossa RPPN. É difícil dizer se o fogo foi causado por negligência, ou posto com a intenção de causar prejuízo. De qualquer maneira, a mata ao redor da capoeira pegou fogo também, e meio-dia notei fumaça grossa na serra, perto da RPPN. Fui ao terreno vizinho, e subi a serra para investigar.

Incêndio no terreno da Família Bento, 05 Dezembro de 2011
Terreno da família Bento, no lado este da RPPN Mãe-da-lua.
05/12/2011, 12h28min. Itapajé, Ceará, Brasil.

Figura 1. Na frente, a capoeira onde o incêndio originou (S 03° 50' 22,15" W 39° 27' 21,0"); no segundo plano, mata queimando ou pegando fogo. A fumaça foi visível de longe, mas não tinha ninguém para apagar o fogo.

Descobri a origem do incêndio, e bati a foto mostrada na figura 1. O vento era forte, e o fogo avançou na direção da RPPN (figura 2).

Foto do Google-earth da área do incêndio no terreno da família Bento, 05 Dezembro de 2011
Foto de satelite de Google-earth, com lugar do incêndio. 05/12/2011, ao lado da RPPN Mãe-da-lua.
Itapajé, Ceará, Brasil.

Figura 2. As flechas mostram como o incêndio se espalhou a partir da origem. A linha amarela indica onde paramos o fogo (medido por GPS). A linha azul representa a extrema da RPPN Mãe-da-lua.

Ninguém estava no local do incêndio. Falei com vizinhos, e eles afirmaram que já tinham notado o incêndio há algum tempo, porém não quiseram fazer nada para apagá-lo. Uma senhora fez o seguinte comentário: "Nos tempos do Sebastião Albano (ex-proprietário do terreno que hoje é RPPN), um fogo na serra queimou dois ou três dias ... (rindo) ... Nos mulheres não vamos apagar o fogo. E os homens também não. Ninguém vai ser preso por isto."

Voltei às pressas para minha casa, tentei telefonar e chamar alguns homens para combater o incêndio. Consegui contatar apenas um. Sai com a moto, dei uma volta nas redondezas, encontrei mais quatro homens. Dois deles estavam em outro trabalho, mas o deixaram pelo resto do dia, para ajudar.

No fim da tarde, quase escuro já, o incêndio estava mais ou menos controlado. A foto mostra a equipe: homens acostumados às roças e queimadas desde pequenos. Trabalharam rápido, com competência e coragem, e conseguiram apagar um fogo que avançou numa linha de mais ou menos 500 metros (figura 2). Acredito que sem eles, o fogo teria atingido a RPPN no mesmo dia.

Os homens que apagaram o incêndio no terreno da família Bento, 05 Dezembro de 2011
05/12/2011, terreno dos Bento, ao lado da RPPN Mãe-da-lua.
Itapajé, Ceará, Brasil.

Figura 3. Os cinco homens que apagaram o incêndio no primeiro dia. Raimundinho, Manuel, Manuel Paula, Elio, Sabino.

No dia seguinte, fomos primeiro quatro, depois sete homens para vigiar, e combater focos novos. Ao fim da tarde, o perigo estava vencido.

Até nesta história triste, há elementos positivos:

  • Na hora do perigo, havia vizinhos e amigos para ajudar. Conseguimos prevenir um grande prejuizo na mata da reserva.

  • Durante o incêndio, telefonei várias vezes para Kurtis Bastos do PREVFOGO do IBAMA. O PREVFOGO ofereceu a ajuda de uma brigada especializada em combate de incêndios florestais, que poderia estar no local na mesma noite (saindo de Viscosa do Ceará). Acabamos resolvendo o problema sem esta brigada, mas foi ótimo saber que tinha este recurso do PREVFOGO, caso a situação piorar.

Há também um lado preocupante: No terreno da família Bento, há mais que 30 casas, com muitos moradores. Nemhum deles participou no combate ao incêndio em seu próprio terreno.

Sou alemão, e meu português não é perfeito. Se encontrar erros de ortografia ou gramática neste texto, por favor, avisem (e-mail).

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